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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Estamos de Luto pelo falecimento do Prof. Luiz Renato de Araújo Pontes



Estamos de Luto!!!
Acabei de tomar conhecimento da lamentável  perda precoce do Professor Universitário Luiz Renato de Araújo Pontes, 51 anos, pro reitor da UFPB.
Dediquei um espaço neste blog para postar as matérias que ele escrevia, pois eu  as considerava importantes (e as considero)  para nossa reflexão da vida  cotidiana.
Minhas condolências aos familiares, amigos e à toda comunidade acadêmica da  Paraíba enlutados pela perda deste admirável profissional e pessoa.  Estou  muito triste por esta perda, mas, Deus sabe tudo e creio que ele está em um  bom lugar pela pessoa humana e profissional dedicado que ele foi.  Peço que  Deus  conforte os corações de seus familiares, amigos e de seus  admiradores assim como eu.
Anadja Rios




Nota de falecimento do Prof. Dr. Luiz Renato de Araújo Pontes
 

A Família consternada informa, o falecimento do Prof. Dr. Luiz Renato de Araújo Pontes, 51 anos. Luiz Renato faleceu nesta quarta-feira, 15, na cidade do Recife.
 
O velório ocorrerá, nesta quinta-feira, 16 de maio, às 10h na Funerária Morada da Paz, localizada na avenida João Machado, 1214, Jaguaribe – João Pessoa e o sepultamento ocorrerá na sexta-feira, 17 de maio, às 10h no cemitério Senhor da Boa Sentença – Centro de João Pessoa.

A Família, esposa, filhos, mãe, irmãos, sobrinhos e amigos agradecem as manifestações de solidariedade e orações neste momento de pesar e dor para todos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

“Violência na escola” é o tema debatido nesta semana. Luiz Renato de Araújo Pontes



Violência na escola
O povo brasileiro é conhecido como um povo alegre, comunicativo e, sobretudo de paz. Entretanto, o que todos nós estamos vivenciando e acompanhando pela mídia, em todo país, é que o Brasil está se tornando um país violento. Já somos considerados como uma das sociedades mais violentas do mundo.
Crimes bárbaros acontecem em plena luz do dia, nos quais pessoas são assassinadas sem nenhuma chance de defesa. Como exemplo, tivemos a dentista que foi queimada em seu consultório pelo criminoso, porque só tinha trinta reais em sua conta bancária.
Nesta escalada de crimes bárbaros verificamos cada vez mais a presença de menores de idade, cometendo essas atrocidades. A presença constante desses menores tem revoltado a população brasileira que exige das autoridades uma ação concreta com relação à redução da maioridade penal para 16 anos.
A imprensa brasileira tem promovido debates, com diferentes especialistas, sobre a escalada de violência no Brasil, e diferentes causas têm sido levantadas, como: exclusão social, obsolescência do Código Penal Brasileiro, morosidade nas decisões do Poder Judiciário, corrupção e, sobretudo o aumento do consumo do crack. Entretanto, outro tipo de violência que devemos urgente buscar as causas e procurar uma solução é a violência na escola.
Recentemente, uma pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) revelou que 44% dos professores do Estado de São Paulo já tinham sido vitimas de algum tipo de agressão física, verbal ou assédio. Acredito que a violência sofrida pelos professores em São Paulo deve ocorrer também nos diferentes estados brasileiros.
As escolas, para inibir essa violência, têm recorrido a sistema de monitoramento, através de câmaras espalhadas nos quatros recantos das escolas. Entretanto, acredito que o problema não está no monitoramento eletrônico, mas na forma como nossos jovens estão sendo educados em família. A partir do momento que esses jovens não foram educados tendo limites, desrespeitando os próprios pais, eles são capazes de fazerem qualquer coisa fora de casa, seja na escola, seja na sociedade.
É preciso urgente que as escolas desenvolvam um programa educacional que envolva uma maior integração escola-família, com reuniões constantes de acompanhamento entre a escola e a família. Grande parte da violência na sociedade começa pela violência na escola.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É preciso que nosso País também discuta planejamento familiar, qualificação profissional,  fim a todo tipo de bolsa dada pelo governo e sim geração de emprego e renda, redução da maior idade penal, revisão e reforma na legislação e sistema penitenciário e, no estatuto da criança e Adolescente, políticas de prevenção à violência para evitar que nossos jovens continuem se perdendo para as drogas e mundo do crime, inclusão na grade curricular das escolas temas como Moral e Cívica, Religião, OSPB e outros que discutam e resgatem valores importantes como respeito ao próximo, à vida, às Leis, à natureza, etc. Anadja

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mangabeira e sua influência - Prof. Luiz Renato de Araújo Pontes



O bairro de Mangabeira está comemorando seu aniversário de 30 anos de fundação. Mangabeira representa mais do que um bairro na cidade de João Pessoa, sobretudo um novo modo de vida social e econômica, que a população da capital paraibana passou a conviver ao longo do tempo.

João Pessoa, entre as capitais brasileiras, sempre resistiu a ter uma cara da modernidade, mantendo sempre seu ar e comportamento provinciano, apesar do seu progresso.   Talvez, a primeira obra que sinalizou o crescimento de João Pessoa foi à construção de um viaduto no centro de João Pessoa, em 17 de julho de 1970, na gestão do então prefeito Damásio Franca. O projeto teve a assinatura do renomado arquiteto Mário Di Lascio.

Novos bairros foram surgindo em varias localizações da cidade, deslocando o pessoense cada vez mais para perto do litoral. Entretanto, a estrutura geográfica e o modo de vida da população continuavam a mesmo.  A Cidade era dividida socialmente e economicamente em três partes. O centro da cidade, considerado comercial, os bairros, onde a grande maioria da população habitava e as praias, local de lazer dos domingos.

Na configuração, centro, bairros e praias, a economia da cidade girava no centro: lojas, farmácias, hospital, colégio, bancos, restaurantes, enfim, tudo acontecia no centro da cidade. Os bairros serviam apenas para que as pessoas pudessem se acomodar nas suas residências e a noite colocar as cadeiras nas calçadas para dialogar com os amigos da redondeza. Nesta época, não tinha a violência que nós vivenciamos hoje. A vida social era mais tranquila.

 A fundação de mangabeira muda essa relação do pessoense com o centro da cidade. Mangabeira, com uma população superior a 80 mil habitantes, deixou de ser um bairro apenas residencial e passou a ter vida própria: socialmente e economicamente. Ir para o centro também deixou de ser a necessidade e costume predominante do povo de João Pessoa. Após a influência de Mangabeira, praticamente todos os bairros na nossa capital passaram a ter vida própria.

 Mangabeira, na zona sul, tornou-se uma cidade dentro de outra cidade, obrigando aos nossos gestores a repensarem uma nova organização do transporte urbano. Não é possível mais um ônibus circular atravessando toda cidade para chegar ao centro da capital, tornando a vida das pessoas que utilizam este transporte uma “via crúcis”. É preciso que os ônibus circulem apenas dentro dos bairros, dando maior conforto e agilidade para os usuários, integrados com os ônibus dos bairros vizinhos. Parabéns Mangabeira.

Luiz Renato de Araújo Pontes 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Conferência de desenvolvimento - Luiz Renato de Araújo Pontes

 
Na semana passada tive a oportunidade de participar da I Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional, em Brasília. O evento foi organizado pelo Ministério de Integração Regional com o objetivo de reunir subsídios para a elaboração e lançamento da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR).
 
Antes da conferência nacional foram realizadas discussões sobre o tema em 27 etapas estaduais e cinco macrorregionais, reunindo cerca de 10 mil pessoas. As discussões foram organizadas nos eixos: Governança; Diálogo Federativo e Participação Social; Financiamento do Desenvolvimento Regional; Desigualdades Regionais e Critérios de Elegibilidade; e Vetores de Desenvolvimento Regional Sustentável.
 
A iniciativa do Ministério de Integração Regional de promover um amplo debate com a sociedade brasileira, das diferentes regiões, sobre Politica Nacional de Desenvolvimento Regional já é um passo importante para que as politicas de desenvolvimento do país possam ser efetivadas a partir da construção das realidades regionais.  A criação de instrumentos para gerar maior dinamismo nas regiões que apresentam renda inferior a média nacional deve nortear a formulação da nova Politica Nacional de Desenvolvimento Regional.
 
Na abertura do evento o Ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, comentou que toda a discussão que está ocorrendo no Congresso Nacional sobre pacto federativo, distribuição dos royalties do petróleo, alíquota de ICMS e Fundo de Participação dos Estados tem a ver a com a distribuição da receita pública entre os entes federativos. Ele defendeu ainda que projetos de infraestrutura cheguem às regiões mais carentes, como o norte do país, para a integração com as demais regiões.
 
O Brasil por muito tempo desenvolveu um modelo de desenvolvimento concentrado nas grandes regiões, sobretudo, nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, tornando as regiões menos favorecidas cada vez mais pobres. Esse equívoco gerou uma grande desigualdade regional, provocando vários problemas que se arrastam ao longo do tempo. Finalmente, pelo menos no âmbito do governo, procura-se implantar uma nova politica de desenvolvimento com foco na integração regional.
 
Entretanto, não basta o governo querer, é preciso que todos agentes envolvidos, sobretudo, os agentes políticos adquiram uma cultura de pensar o país. Entenderem que é impossível suas regiões conseguirem um desenvolvimento econômico e social quando cercadas por bolsões de pobreza.  A discussão sobre a partilha dos royalties do petróleo está mostrando que setores da classe politica ainda não conseguem pensar o Brasil.
 
 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Humildade de Francisco - Prof. Luiz Renato de Araújo Pontes

 
Desde o anúncio da renúncia do Papa Bento VI o mundo começou a especular, qual o nome iria assumir a liderança da Igreja Católica Apostólica Romana.  A Imprensa mundial promoveu debates e entrevistas com intelectuais, religiosos, teólogos, políticos e todos tinham uma opinião sobre o papa que seria escolhido.
 
Na “bolsa de aposta” vários nomes se apresentavam com força, entre eles, o Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. Finalmente, veio o conclave e os 115 cardeais reunidos na Capela Sistina elegeram, para surpresa de todos, Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, como o novo Papa da Igreja Católica. “Habemus Papa”, “Temos Papa” em Latim, era em palavras o que a fumaça branca anunciava ao mundo. 
 
Jorge Mario Bergoglio não estava na lista dos favoritos. Embora documentos secretos da diplomacia dos EUA já mencionavam o novo Papa como favorito desde 2003.
 
O Cardeal Bergolio, agora Papa Francisco, escolheu o nome Francisco em homenagem a Francisco de Assis, religioso que dedicou sua vida a ajudar aos pobres.  Na praça, sua aparição aos fiéis, foi o seu primeiro teste de empatia. Num gesto de humildade e consciente de sua condição humana pediu aos fiéis ali presentes que rezassem por ele: “Quero dar a benção a vocês, mas primeiro peço um favor. Antes que eu benza o povo, peço que vocês rezem para que Deus me abençoe.” afirmou o novo Papa.
 
Outro gesto de humildade e desprovimento de qualquer vaidade pessoal ocorreu durante um encontro, na sala Paulo VI, no Vaticano, com os jornalistas que fizeram a cobertura do Conclave. O Papa Francisco afirmou que a escolha do seu nome para o pontificado foi inspirado por uma ação do arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Dom Cláudio Hummes. Quando todos já o tinham como o próximo Papa, Dom Cláudio se aproximou, o abraçou, o beijou e lhe disse: “Não se esqueça dos pobres”. Enquanto continuava o escrutínio veio em seu coração o nome de Francisco de Assis.
 
 A Igreja Católica é a instituição que mais conhece sobre o comportamento humano e Dom Cláudio Hummes apesar de conhecer a história de seu amigo Papa Francisco sabe que ele como homem poderia sofrer a influência do poder e o lembrou para ele não esquecer os pobres.
 
Papa Francisco foi humilde em escutar Dom Claudio Hummes e em reconhecer de público a influência que o mesmo exerceu sobre o nome escolhido para seu pontificado. Que Deus ilumine o pontificado do Santo Padre.
 
Humildade é uma qualidade que faz a diferença num ser humano.  
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sucesso Musical - Professor Luiz Renato de Araújo Pontes

Se não fosse trágico seria cômico. Realmente, As músicas que hoje fazem sucesso infelizmente não possuem conteúdos de qualidade. Muitas delas fazem apologia  às bebedeiras (consumo de álcool), ao sexo sem responsabilidade, a falta de pudor, a falta de respeito com as pessoas, culto  à exibição de corpos (homem e mulher), e por ai vai. A matéria abaixo descreve bem essa realidade. Se essas músicas fazem sucesso é porque tem público, infelizmente.
 
Sucesso musical
O sucesso pode ser visto como uma realização própria de alguém ou de um grupo, que pelo seu esforço atingiu com êxito os objetivos esperados naquilo que se prontificou a realizar. Todos aqueles que pretendem alcançar o sucesso precisam de foco, determinação, disciplina, coragem, autoestima, entre outras qualidades. Entretanto, podemos observar, em alguns casos, que o sucesso aparente de determinadas pessoas não passa de um instrumento fabricado por terceiros, utilizando-se de um bom marketing, com objetivo de ganhar dinheiro.
Na semana passada, sábado à tarde, resolvi ficar assistindo televisão. Na busca por uma programação que me agradasse sai passando de canal em canal. Em um determinado momento, escutei quando o apresentador de um programa falou que ninguém mudasse de canal, pois, após o intervalo, ele iria apresentar os maiores sucessos da música e da atualidade.
Aquilo me chamou a atenção. Como gosto de música, atendi ao apelo do apresentador. Fiquei esperando para ver as revelações artísticas e os sucessos musicais. Após passar todo o intervalo publicitário, o apresentador, com sua voz estridente, começou a chamar os cantores.
Na sequência da apresentação apareceu de tudo, cantores com todo tipo de aparência e estilos. Só não apareceu, no meu entendimento, qualidade musical. Muito barulho e pouca composição, além do apresentador com suas intervenções contribuir com o tumulto musical.
A cada apresentação concluída, o apresentador fazia uma pequena entrevista que era tão ruim quanto às músicas que ele chamava de sucesso musical. Num determinado momento, ele perguntou ao jovem se ele já tinha viajado para outros lugares. O jovem orgulhoso de seu desempenho respondeu que já tinha feito quatro apresentações na Europa. Fiquei sem acreditar. No velho continente Europeu, espaço da cultura, também tinha quem escutasse aquilo. Fiquei surpreso quando ele falou que a música, que ele chama de Bara Bará Bere Berê, foi a que abriu as portas para ele.
Antes de sair, o jovem cantou a música que abriu as portas para ele. A única coisa que consegui escutar foi Bara Bará Bere Berê. Infelizmente, os contratos comerciais (jabá) estão impedindo que os nossos jovens cresçam escutando música de qualidade, que poderia efetivamente ser chamada de sucesso musical.
Luiz Renato de Araújo Pontes

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

“Medo da violência” - Prof. Luiz Renato

Medo da violência
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou uma pesquisa de opinião pública sobre a reação dos brasileiros com relação à violência no país. Nesta pesquisa, a Região Nordeste é a que mais teme a violência.

O brasileiro há muito tempo vive sob uma constante tensão com relação à violência, embora muitas vezes não perceba. Comprovei esse fato comigo mesmo.
Em 1987, estava acabando de chegar a Nancy, uma cidade universitária e tranquila da França, para passar uma temporada. Fui morar num bairro onde já habitavam outros brasileiros, e algumas vezes nos reuníamos pra trocar ideias e falar dos acontecimentos no Brasil. Certo dia, ao retornar, às 21h, para meu apartamento, a pé, bastava atravessar um parque e já estava em casa, fui abordado por duas pessoas que estavam paradas dentro de um carro. No primeiro momento, pânico geral, me veio à sensação que iria ser assaltado. Nem que eu quisesse correr, não conseguiria. Depois veio o alívio, aquelas pessoas queriam apenas saber onde ficava uma determinada rua. Foi ai que percebi como, nós brasileiros, vivemos constantemente com medo da violência, refletindo na nossa qualidade de vida.
Naquela época, a violência era mais concentrada no sudeste do país, sobretudo, Rio de Janeiro e São Paulo. No Nordeste, a violência maior era em Recife. Na nossa capital da Paraíba, João Pessoa, comentava-se que era um paraíso. Podia-se andar a pé pela cidade, a qualquer hora, nada acontecia.
Segundo a pesquisa do Ipea, esse quadro mudou. A violência bateu a porta dos nordestinos e, consequentemente, aumentou o medo da violência na nossa região, com relação às outras regiões do país.
O alto índice de violência na região sudeste, com repercussão, entre outras, no turismo, afetando assim a economia da região, obrigou aos governos estaduais e federal a atuarem em parecerias de forma mais efetiva. O Estado subiu o morro com ações sociais para aquelas comunidades e repressão aos traficantes de drogas. Resultado, atordoados, a bandidagem procurou outras modalidades de atividades na própria região, como arrastões nos restaurantes, ou continuaram atuando no tráfico, agora no Nordeste.

O Nordeste, com alto índice de pobreza e corrupção, passou a ser o paraíso da bandidagem, sobretudo, o tráfico de drogas. Todos os dias a imprensa noticia a mortes de jovens envolvidos no tráfico, além da prisão de traficantes que deixaram de atuar no sudeste para vir atuar no nordeste.
É preciso urgente ações mais efetivas dos governos estaduais da nossa região, conjuntamente com o governo federal. Caso contrário, os nordestinos não só irão aumentar o medo da violência, mas ficarão enclausurados em suas próprias casas.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

 
 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Tragédia anunciada!!!!! - Luiz Renato de Araújo Pontes

 
O Brasil inteiro ficou chocado com o incêndio que vitimou mais de trezentas pessoas em uma boate em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Segunda estimativa do comandante do corpo de bombeiro do Estado havia em torno de mil pessoas no interior da boate, quando o incêndio começou.
Atualmente, com a proliferação de bandas de todo tipo musical abriu-se um mercado altamente lucrativo para os empresários, os quais utilizam espaços abertos ou fechados para a realização de shows, atraindo verdadeiras multidões.
A realização de eventos é um empreendimento empresarial como outro qualquer, entretanto, é necessário que os organizadores e o próprio estado garantam a integridade de todos aqueles que ali se encontram para se divertirem.
Infelizmente, no nosso país, talvez por acreditarem na impunidade, certos empresários e mesmo agentes de órgãos públicos, responsáveis pela fiscalização dessas casas de shows ou boates, não cumprem as exigências necessárias de segurança local.
Lembro-me que na França quando alguém reservava um simples auditório para apresentar a defesa de sua tese, mesmo para um público pequeno, imediatamente ele era chamado pela segurança da universidade para se deslocar até o local da apresentação e receber todas as informações necessárias, inclusive mostrando que as portas de saída de emergência deveriam estar todas destravadas.
No Brasil, é o contrário, nenhuma preocupação com a integridade do cidadão, mas depois que a tragédia acontece, autoridades se apresentam na televisão com discursos emocionados e dizem que vão exigir punição para os responsáveis.
Segundo o tenente-coronel Moises Fuchs, a licença contra incêndio da boate estava vencida desde agosto de 2012. Ora, neste caso, além dos empresários o estado também é responsável pela tragédia, pois não fiscalizou, permitindo que a boate funcionasse irregularmente.
Aqui na Paraíba é preciso que nossas autoridades fiscalizem com rigor as casas de shows e boates, verificando com frequência as licenças exigidas, portas de saídas de emergência e que viaturas de plantão observem durante o evento se no interior dessas casas não tem mais gente do que elas realmente suportam, evitando, assim, tragédias anunciadas.
 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A quem cabem às soluções - Prof. Luiz Renato (Situação da seca no Nordeste)


Na semana passada, a convite do Deputado Assis Quintans, tive a oportunidade de participar do lançamento da campanha SOS Seca Paraíba, promovido pela Assembléia Legislativa da Paraíba, no hotel Tambaú, em João Pessoa. A campanha é o desdobramento da caravana da seca e visa chamar a atenção do governo federal para os problemas acarretados pelos períodos de estiagem na Paraíba e no Nordeste, exigindo assim ações emergenciais e duradoras de convivências com a seca.
O evento teve a participação da classe política da Paraíba, presidentes de assembléias dos estados vizinhos, de líderes religiosos, pesquisadores, representantes de organizações sociais, universidades e uma importante participação popular.
Os grandes períodos de estiagens no Nordeste deve ser um problema de todos, pois afeta de forma cruel o homem do campo que fica impossibilitado de gerar seu próprio sustento, e a própria destruição da economia do semiárido, repercutindo em toda região: do litoral ao sertão.
O conceituado professor Luiz Carlos Baldicero Molion, PhD em Meteorologia, foi o palestrante convidado pelo evento. Ele mostrou a relação da seca com os fenômenos que ocorrem no Oceano Pacífico. A quantidade de chuva na nossa região está diretamente ligada às variações de temperaturas da água do Pacífico. Este fenômeno ocorre periodicamente, alternando entre períodos em que as águas do pacifico esquentam e períodos que elas esfriam. O professor Molion fez referência à seca de 1951, 1962 e 1972.
Logo, a seca não é um problema dos dias atuais. Nós nordestinos já convivemos com essa realidade há bastante tempo. No entanto, nunca houve uma vontade política de executar soluções de convivência com a seca, para que essa questão seja resolvida em definitivo.
Segundo alguns especialistas, a transposição do rio São Francisco, entre outras ações, parece ser uma iniciativa fundamental para a convivência do homem com a seca. Entretanto, encontra-se na sua grande parte abandonada e sem previsão de conclusão.
Dois líderes religiosos nos fazem refletir: o sempre atuante e respeitado Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, citou os “industriais da seca” que utilizam da calamidade para se beneficiarem e o Arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira, preocupado com a eternização do problema, questionou: A quem cabem às soluções?

Esse tema é tão antigo que dispensa comentários. O que é preciso mesmo é vontade dos organismos competentes em soluciona-lo. Quanto a essa questão, só Deus na causa. Sou de 1964 e, quando dei meus primeiros passos na escola para compreender o mundo eu já escutava a frase "é grande a Indústria da sêca". Hoje ainda falam sobre essa questão nos meios políticos, na realidade do povo do sertão, nas entidades organizadas da sociedade......... Todo mundo conhece essa história e até podemos como leigos arriscar apontar as soluções de tanto que já escutamos sobre o assunto. Muito bla, bla, bla e solução nada. Ufa! Anadja


domingo, 6 de janeiro de 2013

Solidariedade humana - Professor Luiz Renato

 
O espírito de solidariedade humana deve estar presente em todas as pessoas independente da condição social e econômica.  É através da solidariedade que todos podem exercitar a grandeza da natureza humana, evoluindo e caminhando na direção de um mundo melhor.

Em vários momentos temos observado ao redor do mundo o espírito de solidariedade das pessoas se manifestarem através das grandes calamidades: enchentes, estiagens prolongadas, terremotos, epidemias. São eventos que devastam residências, promove à fome, mortes, tristeza e sentimento de impotência entre aqueles atingidos por essas tragédias.

Atualmente, as tragédias humanas são apresentadas pela grande mídia e redes sociais, propiciando assim que a informação chegue em tempo real nas casas e pessoas. Desta forma cria-se uma rede de solidariedade onde cada um, sensibilizado com a situação, procura se solidarizar da melhor forma dentro do seu alcance.

Entretanto, o homem, ainda em evolução, carrega contradições importantes na sua natureza que o leva a ter um comportamento humano e solidário em um determinado momento e em outro momento um comportamento extremamente individualista e egoísta.

Recentemente, uma manchete em um blog na rede social me chamou atenção: “Trem arrasta carro por 30 metros; populares não socorrem vítimas e saqueiam carga”.  Segundo a matéria, um comerciante tinha feito compras em um supermercado varejista, e ao retornar para casa ele foi atingido por um trem na Ilha do Bispo, ficando ele e os passageiros presos nas ferragens. Apesar da situação grave das vítimas a população preferiu saquear as compras do comerciante a chamar o resgate.

Ao comentar esse fato com um colega ele tentou justificar que a reação daquelas pessoas deve-se ao fato de viverem em condições de extrema pobreza. Entre salvar as vitimas e aliviar por um instante a situação de miséria através do saque, eles preferiram saquear as compras do comerciante. Na sua ótica, o homem com fome vira fera, responde apenas pelo seu instinto, deixa de ser racional.

Para rebater o seu argumento, citei um caso que teve grande repercussão na França. Um jornalista preferiu filmar o afogamento de uma criança a tentar socorre-la. Nesse caso o jornalista era bem pago pela empresa de comunicação e consequentemente não estava vivendo em situação de miséria.

Acredito, entretanto, que a humanidade avançou bastante nas ciências, nas tecnologias, nas artes, mas está cada vez mais decadente do ponto vista ético, moral e humano. É preciso reconstruir o homem e os seus princípios, na sua forma integral.

Luiz Renato de Araújo Pontes

É Professor e Pesquisador da UFPB, Presidente do IDEP – Instituto UFPB de Desenvolvimento da Paraíba e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Seca e desenvolvimento - Luiz Renato de Araújo Pontes

Grande parte da região Nordeste tem como base o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Entretanto, as longas estiagens cada vez mais frequentem têm provocado grandes prejuízos nessas áreas, levando inclusive a migração dos nordestinos para outras regiões.
Entre os municípios nordestinos existem aqueles que fazem parte do polígono das secas, reconhecidos como sujeitos a repetidas crises de prolongamento das estiagens e, consequentemente, objetos especiais de providencias do setor público. No momento, esses municípios, segundo especialistas, vivem umas das piores secas já vista na região.
Particularmente, na Paraíba, estamos presenciando cenas lamentáveis provocadas pela falta de água. São mulheres e crianças que se deslocam sob forte ação do calor para buscarem água, muitas vezes poluídas, para o preparo do pouco alimento que ainda resta. Existem grandes áreas que parecem mais cemitério de animais onde suas carcaças são vistas espalhadas nas terras secas e rachadas.
Diante do grave problema ocasionado pela seca os deputados paraibanos, através da Assembléia Legislativa (ALPB), organizaram a Caravana da Seca com o objetivo de ouvir as reivindicações da população e elaborar uma pauta de prioridades do Estado neste momento de estiagem, como disse o presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Ricardo Marcelo.
Acredito que seja importante essa visita dos deputados pelos diferentes municípios atingidos pela seca para conversar com a população local e se solidarizar com o sofrimento do povo, mas a grande maioria desses deputados é originária dessas regiões e conhecem muito bem essa realidade, que é uma constante ao longo do tempo.
Logo, é preciso ações mais constantes e firmes, independente de período de estiagem, como o andamento e conclusão da transposição do rio São Francisco e um projeto de fortalecimento da economia local que não seja baseado apenas no desenvolvimento da agricultura e pecuária.
A transposição do rio São Francisco, apesar de importante, não será a redenção do Nordeste. É precioso desenvolver projetos econômicos para a região que não sofram com os efeitos das estiagens. Polos de informática podem ser um entre tantos outros que devem ser incentivados pelas políticas de desenvolvimento.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB, Presidente do IDEP – Instituto UFPB de Desenvolvimento da Paraíba e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Diploma universitário - Prof. Luiz Renato

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou recentemente o relatório “Education at a Glance 2012” (“Um olhar para a educação”). O relatório faz uma análise dos sistemas de ensino dos 34 países membros da OCDE, além de países como Brasil, Argentina, China Indonésia, Rússia, Arábia saudita e África do Sul.
Entre os diferentes dados levantados, o relatório mostrou que no Brasil a relação entre diploma universitário e emprego é bastante significativa. A cada 10 homens com diploma de ensino superior, entre 25 e 64 anos de idade, nove estão empregados. Levando em consideração as mulheres, o índice é de 85,6%.
No Brasil, o diploma de ensino superior sempre foi perseguido pela grande maioria da população brasileira na perspectiva de realizar o sonho profissional, além de conseguir uma melhor condição social e econômica.
O grande número de jovens que a cada ano procuram se submeter a um vestibular em uma universidade federal é impressionante. Em função da procura, o governo brasileiro, através de programas específicos para educação superior, promoveu a expansão das universidades federais, aumentando consideravelmente as vagas nas instituições federais. Além de promover igualmente programas de financiamento educacional para alunos em universidades privadas.
Entretanto, vale salientar que nem todos que procuram um diploma de ensino superior, no nosso país, gostariam de estar fazendo uma universidade. Alguns, talvez, preferissem fazer um curso técnico. Mas, em função dos baixos salários, em geral, pagos aos técnicos buscam um diploma universitário.
As escolas técnicas federais sempre foram consideradas instituições de excelência. Fui aluno da Escola Técnica Federal da Paraíba e pude constatar a qualidade do ensino daquela instituição. Durante todo o dia nossas atividades eram divididas em aulas teóricas, aulas experimentais e atividades esportivas e culturais, enfim, uma formação integral. Alguns laboratórios eram mais bem equipados que os próprios laboratórios da UFPB. Entretanto, apesar da excelente formação técnica, praticamente todos da minha turma optaram pelo ingresso nas universidades. Motivados pelas diferentes vocações de cada um, mas igualmente pela desvalorização, na época, de um diploma de técnico.
É preciso renumerar melhor os profissionais de nível técnico, caso contrário, vamos ter todos com diploma de ensino superior, mas subempregados.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eleição na Capital - Luiz Renato de Araújo Pontes

Eleição na Capital
Este ano, em todo cidade brasileira, o povo vai escolher o prefeito que ele entende que será o melhor para administrar o seu município. Os diferentes candidatos estão sendo avaliados, entre outros: pela capacidade de trabalho, empreendedorismo, honestidade, facilidade de comunicação com a comunidade, visão de futuro, alianças políticas e seus programas de governo. Para os que estão tentando se reeleger ou retornar ao comando da gestão dos municípios, os eleitores vão julgá-los pela forma que administraram os seus respectivos municípios, ou seja, pela gestão competente fazendo a cidade avançar e se não houve desvios de recursos em benefício próprio, ou seja, o enriquecimento ilícito.
As capitais brasileiras, por falta de um planejamento com visão de futuro pelos seus gestores tiveram um crescimento, ou melhor, incharam no lugar de um desenvolvimento econômico e social que produzisse riquezas e uma melhor condição de vida para seus habitantes.
Os diferentes municípios do Brasil, independente do tamanho, praticamente convivem com os mesmos problemas: mobilidade urbana, comunidades pobres na periferia, falta de uma boa educação, necessidade de geração de trabalho e renda, saneamento, transporte, assistência à saúde, além de um dos maiores problemas que é a expansão do tráfico e o consumo de drogas, acarretando no aumento da violência e a morte de grande parte de nossos jovens.
Em toda eleição no Brasil os “marqueteiros” procuram, durante o tempo que os candidatos dispõem no guia eleitoral, mostrar que eles estão preparados para enfrentar os problemas e soluciona-los, caso sejam eleitos. O problema é que as equipes de marketing praticamente se igualam em suas competências, fazendo com que os candidatos se apresentem no mesmo formato, tornando difícil para a população diferenciá-los. Exceto em relação àqueles candidatos que já foram envolvidos com corrupção. É preciso que os marqueteiros e os próprios candidatos entendam que o que vai diferenciar não é a forma, mas a diferença de conteúdo.
Acredito que é importante debater além dos problemas acima citados de como os diferentes candidatos das cidades pólos vão se relacionarem com as cidades circunvizinhas. Grande parte das soluções dos problemas não é localizada, mas passa necessariamente por um projeto integrado com os diferentes municípios. Portanto, cabe aos candidatos dessas cidades dizerem quais são os seus projetos de integração para a região.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ciclista: 1,5m - Prof. Luiz Renato de Araújo Pontes

O Código de Trânsito Brasileiro determina que os veículos devem manter uma distancia mínima de um metro e meio das bicicletas. Esta distância permite uma segurança maior para o ciclista e para o motorista, evitando assim acidentes.
Na semana passada, o jovem ciclista, Rudolf Werner Junior, de 29 anos, carinhosamente conhecido por Rudi, filho do casal amigo, Wolff e Denize, sofreu um acidente grave. Ele é triatleta e foi atropelado durante um treino por um ônibus de responsabilidade da prefeitura da cidade de Cabedelo.
Este acidente revoltou a todos pela imprudência do motorista, certamente despreparado para conduzir aquele veículo. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o motorista não estava habilitado para conduzir o veículo que transportava crianças. Esta informação precisa ser apurada pelas instituições competentes, como: o Ministério Público e o Detran. Caso as informações sejam confirmadas, os responsáveis devem ser punidos pela contratação do motorista. Não pode um gestor público contratar pessoas que possam colocar em risco a vida de crianças e de todos que circulam na cidade.
Ciclistas de todas as idades fizeram uma manifestação contra a insegurança no trânsito e em solidariedade a Rudi. Mais de 300 ciclistas se deslocaram do Portal de Intermares até a entrada da cidade de Cabedelo, local onde o acidente ocorreu. No local, foi feita uma oração pelo pronto restabelecimento do triatleta e reivindicaram também do poder público, entre outras: ampliação das ciclofaixas, mais ciclovias e políticas educativas.
Atualmente, na cidade de João Pessoa, os amantes e atletas deste esporte não têm espaços reservados para desenvolverem suas atividades. Eles treinam nas estradas, colocando em risco suas vidas, por condutores de veículos que não têm o menor respeito pela vida do seu semelhante. As poucas ciclovias que existem na cidade não têm manutenção, dificultando ainda mais a prática do ciclismo.
É importante que toda sociedade se una e exija das autoridades competentes políticas públicas que garantam a segurança de todos. Não podemos mais aceitar o descaso de nossos gestores com a vida das pessoas. No Brasil, os números divulgados de acidentes de trânsito são alarmantes.
Independente dos gestores públicos, você pode fazer a sua parte. Quando verificar um ciclista na estrada se distancie dele de no mínimo um metro e meio. Imagine que aquele ciclista pode ser seu filho, um parente ou um amigo. Você não gostaria de provocar um acidente em uma pessoa próxima a você.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

Pois é, infelizmente temos uma dificuldade imensa de cumprir e respeitar Leis, normas, critérios, etc. Temos muitas campanhas educativas sobre os cuidados no trânsito, nos resta criar vergonha na cara e passar a  respeitar a vida das pessoas e a nossa própria vida. Quanto aos ciclistas, merecem sim respeito e espaços adequados. Aliás, devem mesmo serem até elogiados, bem como incentivar a prática deste esporte. Vou mais além, se as pessoas adquirirem o hábito de usar bicicletas para irem aos seus locais de trabalho, ou a qualquer outro lugar possível, estará contribuindo para a preservação do meio ambiente, pois haverá diminuição da poluição provocada pelos automóveis. Bem vindo ao futuro. Anadja

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Eleições limpas

 
Desde as primeiras eleições, após a abertura democrática no Brasil, que observamos a evolução do processo eleitoral em todos os sentidos: comportamento do eleitor, comportamento do político, atuação dos Tribunais Regionais Eleitorais, organização de campanha, enfim, mudanças importantes para termos eleições civilizadas, embora tenham ainda um longo caminho a percorrer.
As eleições no Brasil, que para uns era uma festa democrática, não passava de um grande tumulto. Carreatas patrocinadas pelos partidos políticos, arregimentando carros de todas as maneiras, para mostrar ou tentar impressionar os eleitores e os adversários. Os comitês distribuíam vales gasolina para quem tivesse disposto a seguir a carreata. Tinha proprietários de carros que participavam de todas as carreatas, não importava quem era o candidato, o importante era encher o tanque de gasolina, e durante a carreata davam uma escapulida.
No dia da eleição, o tumulto era ainda maior, carros contratados a disposição dos candidatos percorriam toda cidade, em alta velocidade, levando e trazendo os eleitores para votarem. Alguns eleitores só tinham o direito à ida, quando procuravam os carros para retornarem para as suas casas, esses já tinham desaparecido. O eleitor perdia a sua importância, após já ter votado.
O local de votação tornava-se um inferno. Cabos eleitorais abordavam as pessoas desde a chegada, indo levar o eleitor até quase dentro da cabine eleitoral. Era um desrespeito total com as pessoas, além do constrangimento causado pelas abordagens muitas vezes agressivas. Sem falar na sujeira que eles deixavam. Espalhavam santinhos, papeis com a foto e o numero do candidato, por todos os lados, numa verdadeira agressão a cidade e ao meio ambiente.
Havia também o comercio dos muros das residências. Aquelas residências que estavam bem localizadas, os muros tinham um valor maior no mercado eleitoral e eram bastante concorridos. Os postes também eram outros lugares bem concorridos, praticamente todos os candidatos colavam suas propagandas ali. No outro dia da eleição, a cidade estava toda emporcalhada de propagandas políticas pelo chão, postes e muros. Você via uma cidade verdadeiramente suja.
Como inovações apareceram os showmicios, outra agressão. Bandas contratadas tiravam o sossego dos moradores da região, ninguém conseguia dormir.
O processo eleitoral foi evoluindo, e nas eleições, certos abusos foram desaparecendo. Esperamos, agora, que o eleitor tenha evoluído, votando em candidatos que sejam honestos e competentes. Só assim teremos uma eleição verdadeiramente limpa.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

Temos que considerar e reconhecer a relevancia desses avancos muito bem citados e avaliados no artigo acima. Agora espero que ocorra mais duas mudancas nas proximas eleicoes: Um canal de TV exclusivo para propagandas eleitorais onde o cidadao eleitor fique a vontade para optar se quer assistir ou nao em determinado dia e hora; e o voto facultativo onde o cidadao leitor esteja a vontade para decidir se quer votar ou náo. (neste pequeno texto est[a faltando alguns acentos, devido a um problema no teclado do meu PC).
Anadja

terça-feira, 17 de julho de 2012

Brasil primitivo - Prof. Luiz Renato

 Infelizmente tenho que concordar com o artigo abaixo. Numa abordagem diferente, tenho postado algumas reflexões e opiniões sob minha ótica. Realmente está muito difícil viver em nosso País, principalmente pela falta de sugarança e o aumento da violência gerada por bestas fera. Anadja

"O povo brasileiro tem uma característica importante, que é a facilidade de se aproximar e conversar com as pessoas que estão em volta, como se fossem amigos de longas datas. Esta semana, ao me deslocar ao centro da cidade de João Pessoa, para comprar um objeto que eu estava precisando, tive a oportunidade de conhecer uma pessoa que estava na loja, e antes da vendedora nos atender, falamos sobre diversos assuntos da atualidade. Em um determinado momento meu “neo-amigo” disse: olha meu caro, o Brasil é um país primitivo.
A afirmação que o Brasil é um país primitivo me deixou intrigado. Tentei argumentar que o nosso país está entre as seis potências econômicas do mundo. Avançamos muito na questão social, embora ainda se tenha muito que fazer. O Nordeste, que era uma região problema, nos últimos anos, foi à região que mais cresceu. Enfim, o Brasil é outro país, tem uma nova cara. Para minha surpresa, o meu interlocutor concordou com tudo, fazendo apenas uma ressalva.
Segundo ele, é inquestionável que o Brasil avançou. Ninguém de sã consciência pode dizer o contrário. A não ser que seja uma discussão política entre situação e oposição. Para a situação tudo está bom, para a oposição nada presta. Mas, no Brasil, geralmente, se você prestar atenção, as pessoas não dialogam para resolver as suas diferenças. Parte-se sempre para a brutalidade. Por qualquer coisa puxa-se uma arma, seja um revolver, uma faca, enfim, o que tiver carregando no momento. Uma discussão que poderia ser resolvida de forma civilizada termina em agressão física.
Depois dos argumentos do meu neo-amigo. Fiz uma retrospectiva sobre a violência no Brasil. Inúmeras pessoas já morreram em uma discussão no trânsito. Motoristas carregam armas em seus veículos sem nenhuma necessidade. Se a arma não estivesse ali presente, com certeza não teria morte, levando infelicidade para a família do “criminoso” e para a família da pessoa atingida.
Existe brutalidade maior que uma pessoa, não importando a idade, ser agredida nas ruas por bandidos que levam os seus pertences. Verdadeiras feras soltas no meio da sociedade. Um país onde certas pessoas não têm vergonha de serem presas por corrupção. Ao contrário acham que são mais espertos que os outros.
Enfim, conclui dizendo para meu interlocutor: o Brasil não é um país primitivo. É um país de feras, onde a bestialidade prevalece".
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

domingo, 8 de julho de 2012

“Medo da violência” é o tema debatido nesta semana pelo Prof. Luiz Renato


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou uma pesquisa de opinião pública sobre a reação dos brasileiros com relação à violência no país. Nesta pesquisa, a Região Nordeste é a que mais teme a violência. 
 
O brasileiro há muito tempo vive sob uma constante tensão com relação à violência, embora muitas vezes não perceba. Comprovei esse fato comigo mesmo.
Em 1987, estava acabando de chegar a Nancy, uma cidade universitária e tranquila da França, para passar uma temporada. Fui morar num bairro onde já habitavam outros brasileiros, e algumas vezes nos reuníamos pra trocar ideias e falar dos acontecimentos no Brasil. Certo dia, ao retornar, às 21h, para meu apartamento, a pé, bastava atravessar um parque e já estava em casa, fui abordado por duas pessoas que estavam paradas dentro de um carro. No primeiro momento, pânico geral, me veio à sensação que iria ser assaltado. Nem que eu quisesse correr, não conseguiria. Depois veio o alívio, aquelas pessoas queriam apenas saber onde ficava uma determinada rua. Foi ai que percebi como, nós brasileiros, vivemos constantemente com medo da violência, refletindo na nossa qualidade de vida.
Naquela época, a violência era mais concentrada no sudeste do país, sobretudo, Rio de Janeiro e São Paulo. No Nordeste, a violência maior era em Recife. Na nossa capital da Paraíba, João Pessoa, comentava-se que era um paraíso. Podia-se andar a pé pela cidade, a qualquer hora, nada acontecia.
Segundo a pesquisa do Ipea, esse quadro mudou. A violência bateu a porta dos nordestinos e, consequentemente, aumentou o medo da violência na nossa região, com relação às outras regiões do país.
O alto índice de violência na região sudeste, com repercussão, entre outras, no turismo, afetando assim a economia da região, obrigou aos governos estaduais e federal a atuarem em parecerias de forma mais efetiva. O Estado subiu o morro com ações sociais para aquelas comunidades e repressão aos traficantes de drogas. Resultado, atordoados, a bandidagem procurou outras modalidades de atividades na própria região, como arrastões nos restaurantes, ou continuaram atuando no tráfico, agora no Nordeste.
O Nordeste, com alto índice de pobreza e corrupção, passou a ser o paraíso da bandidagem, sobretudo, o tráfico de drogas. Todos os dias a imprensa noticia a mortes de jovens envolvidos no tráfico, além da prisão de traficantes que deixaram de atuar no sudeste para vir atuar no nordeste.
É preciso urgente ações mais efetivas dos governos estaduais da nossa região, conjuntamente com o governo federal. Caso contrário, os nordestinos não só irão aumentar o medo da violência, mas ficarão enclausurados em suas próprias casas.
Luiz Renato de Araújo Pontes
É Professor e Pesquisador da UFPB e Coordena o Laboratório de Materiais e Produtos Cerâmicos – LMPC/CT/UFPB.

O artigo acima retrata a pura realidade do nosso País, ressalto apenas que na verdade já faz tempo que vivemos enclausurados em nossas casas, com nossa liberdade confiscada.